1912: VITÓRIA NA SELVA

estrada ferro

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O início de uma das mais fantásticas páginas da História do Brasil e do Mundo Moderno.
Como 20 mil homens de 50 nacionalidades, a medicina mais moderna da época, 350 mulas argentinas, e todo dinheiro do mundo, venceram a brutal e isolada selva amazônica, na construção de uma ferrovia impossível, que garantiu ao Brasil a soberania de vasto e rico território amazônico, e evitou uma guerra de fronteira.

CAPÍTULO 12

O BANDEIRANTE EM PORTO VELHO

Entre os 800 mil habitantes do Rio de Janeiro, mesma cidade sede dos negócios de Percival Farquhar, morava a pessoa certa para a missão quase impossível de garantir a finalização da Madeira Mamoré: o jovem médico Oswaldo Gonçalves Cruz, então com 36 anos de idade. Na prática, não era um médico tradicional, com gabinete de atendimento e clientela fixa. Era um cientista de campo. Mais ainda: era um combatente das ruas, um sanitarista.
Na luta contra a varíola, que dizimava, com o apoio da peste bubônica (causada pela urina de ratos) e da febre amarela, a população do Rio de Janeiro sujo e entulhado no início do século, e fez colar na cidade a fama mundial de ‘túmulo de estrangeiros’ , Cruz implantou, sob o respaldo do presidente Rodrigues Alves e do Congresso Nacional, a primeira mobilização em larga escala de vacinação obrigatória, um procedimento médico novo e estranho, que provocou uma onda de rejeição, insuflada pela imprensa, oposição e golpistas, e fez o barril de pólvora explodir – durante oito dias, nos quais a capital da República vive, na prática, uma guerra civil, na chamada Revolta da Vacina. Para erradicar a doença, o Congresso aprovou a Lei da Vacina Obrigatória de 31 de Outubro de 1904, que permitia aplicação da vacina à força pelas chamadas brigadas sanitária, livres para arrombar portas com apoio policial ostensivo.
Nem a data magna da República serviu para aclamar os ânimos. O desfile militar comemorativo foi suspenso depois da descoberta que seria iniciado um golpe militar para derrubar o presidente. O jornal Gazeta de Notícias, de 14 de novembro de 1904, publicou:
“Tiros, gritaria, engarrafamento de trânsito, comércio fechado, transporte público assaltado e queimado, lampiões quebrados às pedradas, destruição de fachadas dos edifícios públicos e privados, árvores derrubadas: o povo do Rio de Janeiro se revolta contra o projeto de vacinação obrigatório proposto pelo sanitarista Oswaldo Cruz”.
Os cadetes da Escola Militar da Praia Vermelha também se amotinam contra as medidas. O governo foi obrigado a suspender a obrigatoriedade da vacina por algum tempo e a declarar estado de sítio (suspensão das garantias constitucionais em favor da ordem pública). Saldo: 30 mortos e 110 feridos. Mais de 1000 de pessoas presas, e cerca de 400 deportadas para o recém criado território federal do Acre. Em 1904, cerca de 3 500 pessoas morreram de varíola. Dois anos depois, esse número caía para nove. Em 1909, ninguém morreu de febre amarela na cidade. Para o combate da febre amarela atuaram os “mata-mosquitos”, incumbidos de perseguir os insetos, mesmo na marra, dentro da casas dos cariocas. Quase 100 anos depois, o mesmo apelido de mata-mosquito passa a designar os agentes públicos, que visitam as casas no Rio de Janeiro na luta contra o mosquito transmissor da Dengue.
Cruz era um patriota. Morreu prematuramente aos 44 anos, como prefeito, em 1917, na cidade de Petrópolis, por causa de complicações da insuficiência renal. Na sua morte, já aclamado como herói, até seu corpo foi disputado pelos governos de São Paulo, sua terra natal, do Rio e pelo governo Federal. Sua morada eterna foi mesmo o Rio, que ele saneou. Vítima de inúmeras campanhas difamatórias ao longo da carreira, ele viveu um amor à causa do progresso do Brasil, de suas fronteiras longínquas, e em favor de suas populações mais carentes. “Sem esmorecer para não desmerecer”, dizia ele.
No livro “Oswaldo Cruz: a construção de um mito na ciência brasileira” (Editora Fiocruz. 1995, disponível http://static.scielo.org/scielobooks/t7/pdf/britto-9788575412893.pdf ) a autora Nara Britto analisa:
“Avaliam os memorialistas que a obra de Oswaldo Cruz, como marco histórico, equivalia ao episódio das entradas e bandeiras que desbravavam o interior do Brasil no século XVII. Diferentemente destas, os novos bandeirantes não estavam à cata de ouro e tampouco de pedras preciosas. Esboçando objetivos mais nobres, almejavam conquistar o território e estabelecer a nacionalidade através da civilização que deveria ser estendida a todo o país, principalmente ao interior.”
Naquele tempo, a cidade chamada de Porto Velho do Rio Madeira era um dos pontos mais distante do mapa do Brasil, ótimo destino para destemidos pioneiros, novos bandeirantes de alma aberta como Oswaldo Cruz, ávidos por colocar suas ideias na prática do mundo real e hostil. Fazendo uma associação histórica pertinente, a gênese de Rondônia, único dos 27 estados brasileiros nascido de uma ferrovia, teve sempre presente o mesmo espírito aventureiro, de bandeirante, motor humano dos vários ciclos econômicos, que atraíram milhares de brasileiros e estrangeiros para o coração da selva amazônica.
Sob essa inspiração bandeirante, Joaquim de Araújo Lima, autor da letra e José de Mello e Silva (melodia) produziram o hino “Céus de Rondônia”, criado simultaneamente à instalação do Estado em 4 de janeiro de 1982, e cantado abertamente nas solenidades cívicas, militares e estudantis. Na antiga condição jurídica de território federal, ou seja, uma unidade administrativa da União – possuidora de seus símbolos nacionais – Rondônia não tinha hino.
Quando nosso céu se faz moldura / Para engalanar a natureza / Nós, os bandeirantes de Rondônia, / Nos orgulhamos de tanta beleza. / Como sentinelas avançadas, / Somos destemidos pioneiros / Que nestas paragens do poente gritam com força: somos brasileiros! / Nesta fronteira, de nossa pátria, Rondônia trabalha febrilmente / Nas oficinas e nas escolas A orquestração empolga toda gente; / Braços e mentes forjam cantando A apoteose deste rincão / Que com orgulho exaltaremos, /Enquanto nos palpita o coração / Azul, nosso céu é sempre azul, / Que Deus o mantenha sem rival, Cristalino sempre puro / E o conserve sempre assim. / Aqui toda vida se engalana / De belezas tropicais, / Nossos lagos, nossos rios / Nossas matas, tudo enfim…

Ricardo Leite é jornalista e procurador federal

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VITÓRIA NA SELVA. AVANTE VERSALLE!

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> Rio de Janeiro, 1910. O cais do porto da capital federal está lotado para receber um herói recém-chegado de outro planeta. Osvaldo Cruz desembarca cercado pela multidão, depois de enfrentar o mar, os rios e o coração da brutal selva amazônica em Porto Velho, onde deu esperança médica a uma obra impossível atacada pela malária: a espetacular Estrada de Ferro Madeira Mamoré. Usando o foguete da imaginação, viajamos para 2015, e num percurso inverso, acompanhamos a banda rondoniense de nome elegante e estilo marcante, sair da capital de Rondônia, e ser aplaudida no mesmo Rio de Janeiro de Cruz, 105 depois.
> Marte foi a música bela e forte que levou a banda Versalle ao terceiro lugar, com valor de primeiro. Durante três meses e nove apresentações na selva musical, o quarteto conseguiu o impossível — chegar na final com quatro competidores. Ninguém venceria a dupla de garotos baianos, reedição de Claudinho e Bochecha, explosão popular do início dos anos 2000. A taça, então, para bandas propriamente ditas, ficou com o Rock.
> Nada mais moderno na ciência hoje que o esforço tecnológico e multinacional de levar o homem ao planeta vermelho. A extraordinária Ferrovia Madeira Mamoré foi a vitória de 52 nações e da tecnologia em favor de um sonho inatingível no começo do século XX em outro mundo chamado Amazônia. Na melodia de Marte, a Versalle firmou o Rock. Na EFMM, nasceu Rondônia.
> Ontem, dia 13, foi o dia internacional do Rock. No dia anterior, o brilho francês do Palácio de Versailles, que empresta o nome a banda, foi reproduzido para milhões de brasileiros pela Globo ao som de Marte. Porto Velho e Rondônia brilharam juntos, como a estrela proeminente da bandeira do Estado, na constelação do Brasil.
> Não podemos esquecer. Dia 1 de agosto, a EFMM completa 103 de inaugurada e a Versalle se apresenta na Talismã. Bela coincidência para exaltar a vitória sobre o impossível. Casa cheia. Vamos lá. Mas é justo e merecido — repetindo a cena do Porto do Rio há 105 anos — que uma multidão receba no aeroporto governador Jorge Teixeira de Oliveira, com flores e a bandeira do Estado, os heróis Criston, Rômulo, Miguel e Igor que foram, tocaram e venceram. Avante EFMM! Avante Rondônia! Avante VERSALLE! >
> Ricardo Leite é jornalista e procurador federal
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> Estrada de Ferro Madeira Mamoré
> Patrimônio da Humanidade. Acesse:
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> http://www.efmm100anos.wordpress.com

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UM LEGÍTIMO RONDONIENSE NA VIAGEM INAUGURAL DA ESPETACULAR ESTRADA DE FERRO MADEIRA MAMORÉ

*Ricardo Leite
Terça-feira, dia 5 de maio de 2015. Nascia há 150 anos um dos heróis da Pátria: Candido Mariano da Silva Rondon, ou apenas, Marechal Rondon, mundialmente reconhecido como o militar que salvou da morte à bala milhares de índios, e levou a paz e a civilização aos sertões, antes desconhecidos, do Brasil continental. Para homenageá-lo, os Correios lançaram belos selos, e o Senado Federal fez uma sessão solene. Mas, em Rondônia, único Estado brasileiro que tem o nome de um vulto nacional, ocorria, na mesma terça-feira, por coincidência do destino, uma homenagem especial, que, seguramente, o próprio Rondon aprovaria pelos fundamentos que a motivaram. A Assembleia Legislativa aprovava o projeto do presidente Maurão de Carvalho, para conceder o título de cidadão rondoniense ao juiz federal Dimis da Costa Braga, que, na terça-feira, dia 19, as 10h, recebe a honraria no plenário da Casa Legislativa.
A espetacular e impossível Estrada de Ferro Madeira Mamoré é a ponte histórica que os une. Em 1915, Rondon chega a Porto Velho, usa os trens da EFMM inaugurada três anos antes, e se trata de malária no moderníssimo hospital da Candelária. Nos fins da década de 1910, a disputa jurídica sobre o pagamento da obra, entre União Federal e a Madeira Mamoré Railway Company, já sob administração inglesa, é levada para a arbitragem do então Coronel Rondon, Diretor de Engenharia do Exército, que dá ganho de causa à companhia. Mais de 90 anos depois, o juiz federal Dimis da Costa Braga prolata duas sentenças contra a mesma União, o Estado e o Município de Porto Velho, em favor da Madeira Mamoré. No imbróglio jurídico do início do século passado, Rui Barbosa e Clóvis Beviláqua, personalidades nacionais e mentes jurídicas perenes, também ficaram ao lado da EFMM, assim como o novo cidadão rondoniense, Dimis Braga, muitas décadas depois.
Proteger a EFMM é proteger a mãe do Estado de Rondônia, não havendo motivo maior para fundamentar politicamente o título de cidadão, cujo efeito principal é tornar o homenageado filho da terra. No caso de Dimis da Costa Braga, é mais que isso. É devolver a ele a naturalidade rondoniense. Por uma capricho da História, Lábrea, Amazonas, o município onde ele nasceu, foi por algum tempo, parte do Território Federal do Guaporé (primeiro nome de Rondônia).
Como testemunha próxima posso afirmar ? seus dois anos de trabalho na Seção Judiciária Federal de Rondônia, valem por vinte anos em serviços variados a favor do Estado. A Assembleia Legislativa e, em especial, o presidente da Casa de Leis, Maurão de Carvalho, ancorado em seus cinco mandatos de deputado, fazem justiça, e honram quem merece e sabe dar valor ao altaneiro gesto legislativo. Curiosamente, ambos, Maurão e Dimis, vivenciaram uma profissão muito digna e cheia de ensinamentos: foram garçons, cuja vida é bem servir.
A paixão nacional do futebol serve para dizer que o título de Dimis, que é o diretor do Foro, vai também para todos os juízes federais do Estado, do mesmo modo como o jogador que fez o gol da vitória, mas o time todo recebe a taça por isso. Eis os nomes desses trabalhadores do direito e da justiça: Herculano Martins Nacif, Jaqueline Conesuque Gurgel do Amaral (rondoniense de nascença), Marcelo Stival, Flávio Fraga e Silva, Ricardo Beckerath da Silva Leitão, Eduardo Santos da Rocha Penteado, Alaôr Piacini e Heleno Bicalho.
Atenção. Alerta importante para os futuros administradores do trem turístico e seu cerimonial. Por tudo que ele já fez pela EFMM, e por tudo que sente no seu coração de poeta por este Estado onde nasce diariamente uma nova civilização brasileira, quando o trem da incrível e, desde sempre Patrimônio da Humanidade, Estrada de Ferro Madeira Mamoré apitar pela última vez, antes da partida de sua nova e inexorável viagem inaugural de oito quilômetros até a antiga Santo Antônio do Madeira, no vagão principal, por justiça, o rondoniense legítimo Dimis da Costa Braga deve ter um assento reservado.

*Ricardo Leite é procurador federal

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A EFMM aplaude o Título de Cidadão Rondoniense concedido pela Assembleia Legislativa ao Juiz Federal Dimis da Costa Braga

O Juiz Federal Dimis da Costa Braga, é um sincero defensor da EFMM, e merece o título de cidadão Rondoniense pelo que já fez como magistrado e pelo que sente, como cidadão e poeta, em favor da mãe do Estado de Rondônia, a espetacular Estrada de Ferro Madeira Mamoré, desde sempre Patrimônio da Humanidade.

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Miniatura de trem da Madeira/Mamoré

Confira este vídeo no YouTube:

http://youtu.be/sssp2bIQulM

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‘Concessão Pública’ a única solução para o Complexo Turístico Madeira-Mamor é – Gente de Opinião

http://www.gentedeopiniao.com.br/noticia/concessao-publica-a-unica-solucao-para-o-complexo-turistico-madeira-mamore/142183

Estrada de Ferro Madeira Mamoré
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Ativista ensina o “caminho das pedras” para governantes salvarem a Madeira Mamoré | Mai sRO

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Jornal O Mamoré » Dr. Neidson solicita restauração de estação no Iata

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Maurão indica denominação “Palácio Madeira-Mamoré” ao novo pr édio da ALE Site de Notícias Rondônia Dinâmica

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Cais flutuante completa 30 anos em operação no Porto de Porto Velho – Jornal O NORTÃO

http://www.onortao.com.br/noticias/cais-flutuante-completa-30-anos-em-operacao-no-porto-de-porto-velho,48473.php

Estrada de Ferro Madeira Mamoré
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DICA DE LEITURA: PRÉ-LANÇAMENTO DO LIVRO 1912: VITÓRIA NA SELVA

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