1912: VITÓRIA NA SELVA

estrada ferro

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O início de uma das mais fantásticas páginas da História do Brasil e do Mundo Moderno.
Como 20 mil homens de 50 nacionalidades, a medicina mais moderna da época, 350 mulas argentinas, e todo dinheiro do mundo, venceram a brutal e isolada selva amazônica, na construção de uma ferrovia impossível, que garantiu ao Brasil a soberania de vasto e rico território amazônico, e evitou uma guerra de fronteira.

CAPÍTULO 12

O BANDEIRANTE EM PORTO VELHO

Entre os 800 mil habitantes do Rio de Janeiro, mesma cidade sede dos negócios de Percival Farquhar, morava a pessoa certa para a missão quase impossível de garantir a finalização da Madeira Mamoré: o jovem médico Oswaldo Gonçalves Cruz, então com 36 anos de idade. Na prática, não era um médico tradicional, com gabinete de atendimento e clientela fixa. Era um cientista de campo. Mais ainda: era um combatente das ruas, um sanitarista.
Na luta contra a varíola, que dizimava, com o apoio da peste bubônica (causada pela urina de ratos) e da febre amarela, a população do Rio de Janeiro sujo e entulhado no início do século, e fez colar na cidade a fama mundial de ‘túmulo de estrangeiros’ , Cruz implantou, sob o respaldo do presidente Rodrigues Alves e do Congresso Nacional, a primeira mobilização em larga escala de vacinação obrigatória, um procedimento médico novo e estranho, que provocou uma onda de rejeição, insuflada pela imprensa, oposição e golpistas, e fez o barril de pólvora explodir – durante oito dias, nos quais a capital da República vive, na prática, uma guerra civil, na chamada Revolta da Vacina. Para erradicar a doença, o Congresso aprovou a Lei da Vacina Obrigatória de 31 de Outubro de 1904, que permitia aplicação da vacina à força pelas chamadas brigadas sanitária, livres para arrombar portas com apoio policial ostensivo.
Nem a data magna da República serviu para aclamar os ânimos. O desfile militar comemorativo foi suspenso depois da descoberta que seria iniciado um golpe militar para derrubar o presidente. O jornal Gazeta de Notícias, de 14 de novembro de 1904, publicou:
“Tiros, gritaria, engarrafamento de trânsito, comércio fechado, transporte público assaltado e queimado, lampiões quebrados às pedradas, destruição de fachadas dos edifícios públicos e privados, árvores derrubadas: o povo do Rio de Janeiro se revolta contra o projeto de vacinação obrigatório proposto pelo sanitarista Oswaldo Cruz”.
Os cadetes da Escola Militar da Praia Vermelha também se amotinam contra as medidas. O governo foi obrigado a suspender a obrigatoriedade da vacina por algum tempo e a declarar estado de sítio (suspensão das garantias constitucionais em favor da ordem pública). Saldo: 30 mortos e 110 feridos. Mais de 1000 de pessoas presas, e cerca de 400 deportadas para o recém criado território federal do Acre. Em 1904, cerca de 3 500 pessoas morreram de varíola. Dois anos depois, esse número caía para nove. Em 1909, ninguém morreu de febre amarela na cidade. Para o combate da febre amarela atuaram os “mata-mosquitos”, incumbidos de perseguir os insetos, mesmo na marra, dentro da casas dos cariocas. Quase 100 anos depois, o mesmo apelido de mata-mosquito passa a designar os agentes públicos, que visitam as casas no Rio de Janeiro na luta contra o mosquito transmissor da Dengue.
Cruz era um patriota. Morreu prematuramente aos 44 anos, como prefeito, em 1917, na cidade de Petrópolis, por causa de complicações da insuficiência renal. Na sua morte, já aclamado como herói, até seu corpo foi disputado pelos governos de São Paulo, sua terra natal, do Rio e pelo governo Federal. Sua morada eterna foi mesmo o Rio, que ele saneou. Vítima de inúmeras campanhas difamatórias ao longo da carreira, ele viveu um amor à causa do progresso do Brasil, de suas fronteiras longínquas, e em favor de suas populações mais carentes. “Sem esmorecer para não desmerecer”, dizia ele.
No livro “Oswaldo Cruz: a construção de um mito na ciência brasileira” (Editora Fiocruz. 1995, disponível http://static.scielo.org/scielobooks/t7/pdf/britto-9788575412893.pdf ) a autora Nara Britto analisa:
“Avaliam os memorialistas que a obra de Oswaldo Cruz, como marco histórico, equivalia ao episódio das entradas e bandeiras que desbravavam o interior do Brasil no século XVII. Diferentemente destas, os novos bandeirantes não estavam à cata de ouro e tampouco de pedras preciosas. Esboçando objetivos mais nobres, almejavam conquistar o território e estabelecer a nacionalidade através da civilização que deveria ser estendida a todo o país, principalmente ao interior.”
Naquele tempo, a cidade chamada de Porto Velho do Rio Madeira era um dos pontos mais distante do mapa do Brasil, ótimo destino para destemidos pioneiros, novos bandeirantes de alma aberta como Oswaldo Cruz, ávidos por colocar suas ideias na prática do mundo real e hostil. Fazendo uma associação histórica pertinente, a gênese de Rondônia, único dos 27 estados brasileiros nascido de uma ferrovia, teve sempre presente o mesmo espírito aventureiro, de bandeirante, motor humano dos vários ciclos econômicos, que atraíram milhares de brasileiros e estrangeiros para o coração da selva amazônica.
Sob essa inspiração bandeirante, Joaquim de Araújo Lima, autor da letra e José de Mello e Silva (melodia) produziram o hino “Céus de Rondônia”, criado simultaneamente à instalação do Estado em 4 de janeiro de 1982, e cantado abertamente nas solenidades cívicas, militares e estudantis. Na antiga condição jurídica de território federal, ou seja, uma unidade administrativa da União – possuidora de seus símbolos nacionais – Rondônia não tinha hino.
Quando nosso céu se faz moldura / Para engalanar a natureza / Nós, os bandeirantes de Rondônia, / Nos orgulhamos de tanta beleza. / Como sentinelas avançadas, / Somos destemidos pioneiros / Que nestas paragens do poente gritam com força: somos brasileiros! / Nesta fronteira, de nossa pátria, Rondônia trabalha febrilmente / Nas oficinas e nas escolas A orquestração empolga toda gente; / Braços e mentes forjam cantando A apoteose deste rincão / Que com orgulho exaltaremos, /Enquanto nos palpita o coração / Azul, nosso céu é sempre azul, / Que Deus o mantenha sem rival, Cristalino sempre puro / E o conserve sempre assim. / Aqui toda vida se engalana / De belezas tropicais, / Nossos lagos, nossos rios / Nossas matas, tudo enfim…

Ricardo Leite é jornalista e procurador federal

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VITÓRIA NA SELVA. AVANTE VERSALLE!

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> Rio de Janeiro, 1910. O cais do porto da capital federal está lotado para receber um herói recém-chegado de outro planeta. Osvaldo Cruz desembarca cercado pela multidão, depois de enfrentar o mar, os rios e o coração da brutal selva amazônica em Porto Velho, onde deu esperança médica a uma obra impossível atacada pela malária: a espetacular Estrada de Ferro Madeira Mamoré. Usando o foguete da imaginação, viajamos para 2015, e num percurso inverso, acompanhamos a banda rondoniense de nome elegante e estilo marcante, sair da capital de Rondônia, e ser aplaudida no mesmo Rio de Janeiro de Cruz, 105 depois.
> Marte foi a música bela e forte que levou a banda Versalle ao terceiro lugar, com valor de primeiro. Durante três meses e nove apresentações na selva musical, o quarteto conseguiu o impossível — chegar na final com quatro competidores. Ninguém venceria a dupla de garotos baianos, reedição de Claudinho e Bochecha, explosão popular do início dos anos 2000. A taça, então, para bandas propriamente ditas, ficou com o Rock.
> Nada mais moderno na ciência hoje que o esforço tecnológico e multinacional de levar o homem ao planeta vermelho. A extraordinária Ferrovia Madeira Mamoré foi a vitória de 52 nações e da tecnologia em favor de um sonho inatingível no começo do século XX em outro mundo chamado Amazônia. Na melodia de Marte, a Versalle firmou o Rock. Na EFMM, nasceu Rondônia.
> Ontem, dia 13, foi o dia internacional do Rock. No dia anterior, o brilho francês do Palácio de Versailles, que empresta o nome a banda, foi reproduzido para milhões de brasileiros pela Globo ao som de Marte. Porto Velho e Rondônia brilharam juntos, como a estrela proeminente da bandeira do Estado, na constelação do Brasil.
> Não podemos esquecer. Dia 1 de agosto, a EFMM completa 103 de inaugurada e a Versalle se apresenta na Talismã. Bela coincidência para exaltar a vitória sobre o impossível. Casa cheia. Vamos lá. Mas é justo e merecido — repetindo a cena do Porto do Rio há 105 anos — que uma multidão receba no aeroporto governador Jorge Teixeira de Oliveira, com flores e a bandeira do Estado, os heróis Criston, Rômulo, Miguel e Igor que foram, tocaram e venceram. Avante EFMM! Avante Rondônia! Avante VERSALLE! >
> Ricardo Leite é jornalista e procurador federal
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> Estrada de Ferro Madeira Mamoré
> Patrimônio da Humanidade. Acesse:
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> http://www.efmm100anos.wordpress.com

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UM LEGÍTIMO RONDONIENSE NA VIAGEM INAUGURAL DA ESPETACULAR ESTRADA DE FERRO MADEIRA MAMORÉ

*Ricardo Leite
Terça-feira, dia 5 de maio de 2015. Nascia há 150 anos um dos heróis da Pátria: Candido Mariano da Silva Rondon, ou apenas, Marechal Rondon, mundialmente reconhecido como o militar que salvou da morte à bala milhares de índios, e levou a paz e a civilização aos sertões, antes desconhecidos, do Brasil continental. Para homenageá-lo, os Correios lançaram belos selos, e o Senado Federal fez uma sessão solene. Mas, em Rondônia, único Estado brasileiro que tem o nome de um vulto nacional, ocorria, na mesma terça-feira, por coincidência do destino, uma homenagem especial, que, seguramente, o próprio Rondon aprovaria pelos fundamentos que a motivaram. A Assembleia Legislativa aprovava o projeto do presidente Maurão de Carvalho, para conceder o título de cidadão rondoniense ao juiz federal Dimis da Costa Braga, que, na terça-feira, dia 19, as 10h, recebe a honraria no plenário da Casa Legislativa.
A espetacular e impossível Estrada de Ferro Madeira Mamoré é a ponte histórica que os une. Em 1915, Rondon chega a Porto Velho, usa os trens da EFMM inaugurada três anos antes, e se trata de malária no moderníssimo hospital da Candelária. Nos fins da década de 1910, a disputa jurídica sobre o pagamento da obra, entre União Federal e a Madeira Mamoré Railway Company, já sob administração inglesa, é levada para a arbitragem do então Coronel Rondon, Diretor de Engenharia do Exército, que dá ganho de causa à companhia. Mais de 90 anos depois, o juiz federal Dimis da Costa Braga prolata duas sentenças contra a mesma União, o Estado e o Município de Porto Velho, em favor da Madeira Mamoré. No imbróglio jurídico do início do século passado, Rui Barbosa e Clóvis Beviláqua, personalidades nacionais e mentes jurídicas perenes, também ficaram ao lado da EFMM, assim como o novo cidadão rondoniense, Dimis Braga, muitas décadas depois.
Proteger a EFMM é proteger a mãe do Estado de Rondônia, não havendo motivo maior para fundamentar politicamente o título de cidadão, cujo efeito principal é tornar o homenageado filho da terra. No caso de Dimis da Costa Braga, é mais que isso. É devolver a ele a naturalidade rondoniense. Por uma capricho da História, Lábrea, Amazonas, o município onde ele nasceu, foi por algum tempo, parte do Território Federal do Guaporé (primeiro nome de Rondônia).
Como testemunha próxima posso afirmar ? seus dois anos de trabalho na Seção Judiciária Federal de Rondônia, valem por vinte anos em serviços variados a favor do Estado. A Assembleia Legislativa e, em especial, o presidente da Casa de Leis, Maurão de Carvalho, ancorado em seus cinco mandatos de deputado, fazem justiça, e honram quem merece e sabe dar valor ao altaneiro gesto legislativo. Curiosamente, ambos, Maurão e Dimis, vivenciaram uma profissão muito digna e cheia de ensinamentos: foram garçons, cuja vida é bem servir.
A paixão nacional do futebol serve para dizer que o título de Dimis, que é o diretor do Foro, vai também para todos os juízes federais do Estado, do mesmo modo como o jogador que fez o gol da vitória, mas o time todo recebe a taça por isso. Eis os nomes desses trabalhadores do direito e da justiça: Herculano Martins Nacif, Jaqueline Conesuque Gurgel do Amaral (rondoniense de nascença), Marcelo Stival, Flávio Fraga e Silva, Ricardo Beckerath da Silva Leitão, Eduardo Santos da Rocha Penteado, Alaôr Piacini e Heleno Bicalho.
Atenção. Alerta importante para os futuros administradores do trem turístico e seu cerimonial. Por tudo que ele já fez pela EFMM, e por tudo que sente no seu coração de poeta por este Estado onde nasce diariamente uma nova civilização brasileira, quando o trem da incrível e, desde sempre Patrimônio da Humanidade, Estrada de Ferro Madeira Mamoré apitar pela última vez, antes da partida de sua nova e inexorável viagem inaugural de oito quilômetros até a antiga Santo Antônio do Madeira, no vagão principal, por justiça, o rondoniense legítimo Dimis da Costa Braga deve ter um assento reservado.

*Ricardo Leite é procurador federal

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A EFMM aplaude o Título de Cidadão Rondoniense concedido pela Assembleia Legislativa ao Juiz Federal Dimis da Costa Braga

O Juiz Federal Dimis da Costa Braga, é um sincero defensor da EFMM, e merece o título de cidadão Rondoniense pelo que já fez como magistrado e pelo que sente, como cidadão e poeta, em favor da mãe do Estado de Rondônia, a espetacular Estrada de Ferro Madeira Mamoré, desde sempre Patrimônio da Humanidade.

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O laudo de Rondon na construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré

http://www.conjur.com.br/2015-jul-30/passado-limpo-laudo-rondon-construcao-estrada-ferro-madeira-mamore

O laudo de Rondon na construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré

Por Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy

Em 1923, o ministro da Viação e Obras Públicas consultou o consultor-geral da República sobre como encaminhar discussão relativa às contas finais da construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré. Ajustou-se um arbitramento, indicando-se o então general Cândido Rondon como árbitro. Pelo que se lê do parecer, o árbitro não cumprira o prazo original para entrega do laudo, fazendo-o em momento subsequente, e decidindo contra a União. Questionava o consulente se havia remédio, isto é, se a União poderia desafiar o laudo de Rondon em juízo.

O parecer é comprovação histórica da viabilidade da arbitragem em matéria de direito e de interesse públicos, quebrando um mantra de indisponibilidade que parece não se conformar com a nova lei de arbitragem. O Consultor-Geral opinou pela possibilidade do encaminhamento da discussão para o Supremo Tribunal Federal, com base em regra do Código Civil, com fundamento no atraso da entrega do laudo que pacificaria a questão. Segue o parecer:

“Gabinete do Consultor-Geral da República — Rio de Janeiro, 25 de setembro de 1923.

Exmº. Sr. Ministro de Estado da Viação e Obras Públicas — Com o Oficio nº 176, de 12 do corrente, solicitou V. Ex.ª meu parecer sobre as contas finais da construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré cuja liquidação o Governo e a Companhia acordaram confiar ao arbitramento do General Cândido Rondon, devendo eu ter em vista especialmente verificar se, em defesa dos interesses da União, resta ainda ao Governo algum recurso depois do laudo do referido árbitro.

Do estudo dos papéis vê-se que, não tendo podido chegar a acordo direto o Governo e a Companhia, a propósito da liquidação, final das mencionadas contas, resolveram as partes recorrer ao arbitramento, tendo sido lavrado o respectivo compromisso, assinado pelo Inspetor Federal das Estradas e pelo representante da Companhia em 18 de outubro de 1921. Esse compromisso, denominado no caso — termo de ajuste — foi lavrado de acordo com cláusulas que, pela Inspetoria, foram submetidas ao Sr. Ministro da Viação e Obras Públicas, e por ele aprovadas pelo Aviso n.º 768, de 28 de setembro daquele mesmo ano, referido no cabeçalho do dito termo. Consta igualmente das informações que o General Rondon assinou a 2 de janeiro de 1922 o respectivo compromisso.

Findo o prazo de 90 dias estabelecido na cláusula IV para apresentação do laudo, sem que ele houvesse sido apresentado, foi lavrado um termo adicional concedendo ao árbitro novo prazo de 120 dias a contar de 3 de junho, termo adicional que foi aprovado pelo Aviso n.º 71, de 24 de junho, do antecessor de V. Ex.ª. Com data de 3 de outubro o árbitro ofereceu o laudo que é inteiramente favorável à Companhia construtora da estrada de ferro.

Devo observar que dos papéis que me foram remetidos não constam certos documentos essenciais para perfeita apreciação do modo por que foi instituído o presente juízo arbitral, como o aviso aprovando as cláusulas apresentadas pela Inspetoria das Estradas; o compromisso assinado pelo arbitro; o termo adicional concedendo a prorrogação do prazo para apresentação do laudo.

Há no histórico dos fatos e informações da Secretaria, entretanto, referências positivas a esses atos. Devo observar ainda que o compromisso arbitral, aqui chamado termo de ajuste, não estatui claramente acerca da questão de saber se da decisão arbitral podia ou não qualquer das partes interpor recurso para o tribunal, superior.

A instituição do arbitramento é sempre um processo judicial que pode, como faculta a lei, ser pactuado durante a lide, ou antes de ser esta instaurada. Ele visa, simplificando as fórmulas processuais, entregar o julgamento da divergência a juízes de livre escolha das partes, e a decisão é, por força da lei, salvo cláusula em contrário, irrecorrível. De fato, reza o art. 1.041 do Código Civil, que reproduz o texto do art. 48 do Decreto n.° 3.900, de 26 de junho de 1867: Os árbitros são juízes de fato e de direito, não sendo seu julgamento sujeito a alçada ou recurso, exceto se o contrário convencionarem as partes.

Convém, entretanto, observar que, mesmo quando o arbitramento é instituído como irrecorrível, pode qualquer das partes recorrer dele para o tribunal superior, quer no caso de nulidade ou extinção do compromisso, quer no de ter o árbitro excedido seus poderes (Código Civil, art. 1.046).

Na hipótese não se declarou expressamente que a decisão seria irrecorrível; mas que isso se quis estipular se depreende do art. 1ª do compromisso, pelo qual o árbitro decidirá de modo irrevogável as duas questões propostas; como ainda da cláusula VIII onde se convenciona que as contas e responsabilidades recíprocas, até a data do compromisso, serão definitivamente liquidadas de acordo com as presentes cláusulas.

De um modo geral, pois, em face do princípio legal do art. 1.041 do Código Civil e dos termos do compromisso, não cabe recurso da decisão proferida pelo árbitro.

Parece-me, entretanto, que no caso o recurso facultado pelo transcrito art. 1.046 do Código Civil, cabe com inteira aplicação, pois que, a meu ver, o laudo foi apresentado fora do prazo convencional e assim quando o compromisso arbitral estava extinto. Realmente, o compromisso se extingue se, findo o prazo, os árbitros não se tiverem pronunciado (Clóvis, Comentários ao artigo 1.040, vol. 4.°, pág. 198), e é evidente que o prazo de 120 dias a contar de 3 de junho se extinguiu a 1.° de outubro.

É sabido que na fixação de prazos, quando se estipula o prazo por mês, conta-se um período sucessivo de 30 dias. É o prÍncipio do § 3.° do art. 125 do Código Civil, e que apesar de aceitar o principio já consagrado, na Ord., L. 3, Titulo 13, mereceu críticas, a meu ver fundadas, por alterar o calendário. (Vide Eduardo Espínola — Anotações ao Código Civil, vol. l.º n.° 188, pág. 403). Os prazos, porém, certos, designados por um número determinado de dias, ou sejam prazos fixados por dia, se contam de hora a hora (Carlos de Carvalho, Nova Consolidação, art. 52; Spencer Vampré, Manual do Direito Civil. vol. 1.°, § 63- in fine) e no dizer do Código Comercial, são fatais e improrrogáveis (art. 441).

É evidente que excluindo o dia do começo e incluindo o dia do vencimento, como dispõe o art. 125 do Código Civil, um prazo de 120 dias a começar de 3 de junho, compreende 27 dias do mês de junho, 31 do mês de julho, 31 do mês de agosto, 30 do mês de setembro o que perfaz 119 dias e termina no dia 1.° de outubro (27 + 31 + 31 + 30 + 1 = 120). Ora, o laudo tem a data de 3 de outubro.

E assim é necessário convir em que foi apresentado fora do prazo do compromisso, cabendo ao Governo interpor, neste caso, o recurso de apelação para o Supremo Tribunal Federal, facultado pelo art. 1.046 do Código Civil.

É o que me cabe dizer sobre a matéria da consulta, especialmente no ponto-de-vista de verificar que providências pode ainda o Governo lançar mão depois da apresentação do laudo arbitral, como V. Ex.ª solicita.

Devolvo os papéis e tenho a honra de renovar a V. Ex.ª meus protestos de elevada estima e distinta consideração.

Rodrigo Octavio”

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FBN I Exposição – Percival Farquhar: nas linhas do progresso (1901-1944) | blogdabn

https://blogdabn.wordpress.com/2015/07/28/fbn-i-exposicao-percival-farquhar-nas-linhas-do-progresso-1901-1944/

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Locomotiva da EFMM está parada há décadas e não tem previsão de funcionar – G1 Rond ônia – Jornal de Rondônia – Catálogo de Vídeos

http://g1.globo.com/ro/rondonia/jornal-de-rondonia/videos/t/edicoes/v/locomotiva-da-efmm-esta-parada-ha-decadas-e-nao-tem-previsao-de-funcionar/4330041/

Estrada de Ferro Madeira Mamoré
Patrimônio da Humanidade. Acesse:

http://www.efmm100anos.wordpress.com

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Locomotiva da EFMM tem peça de bronze furtada, em Porto Velho | Rondônia | G1

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Vândalos ateiam fogo em área da Madeira Mamoré – Rondoniaovivo.com

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NINGUÉM VIU – Peça histórica da locomotiva nº 18 da EFMM é furtada do complexo tur ístico – Rondoniaovivo.com

https://www.rondoniaovivo.com/noticias/ninguem-viu-peca-historica-da-locomotiva-n-18-da-efmm-e-furtada-do-complexo-turistico/133585#.VajvZTK9KSM

NINGUÉM VIU – Peça histórica da locomotiva nº 18 da EFMM é furtada do complexo turístico

Quinta-Feira, 16 de Julho de 2015 / 10:34 – Atualizado em Quinta-Feira, 16 de Julho de 15 / 11:02

Uma peça de bronze, denominada lubrificador, que pesa em torno de 20 kg, tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) foi furtada no último final de semana do complexo

turístico da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, localizada as margens do Rio Madeira em Porto Velho, quando supostamente uma equipe foi ao local e fez a extração do objeto, que estava instalado na locomotiva 18.

O crime foi denunciado no 1º DP pelo presidente da Associação dos Ferroviários da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, José Bispo de Moraes, que sentiu falta da peça na locomotiva. A peça segundo historiadores é muito antiga e é tombada pelo Iphan por possuir grande valor histórico.

O museólogo Antônio Ocampo, ouvido pela reportagem, disse que essa é uma peça raríssima e única, e que a sua extração tem que ser feita de forma meticulosa e demorada.

“Um absurdo que isso venha ocorrendo no Complexo da Estrada de Ferro Madeira Mamoré. Há tempos isso vem ocorrendo nessa área, já levaram quase todas as telhas que são peças tombadas pelo Patrimônio também. Porto Velho está perdendo sua história. Eu pergunto: até quando esse tipo de situação vai continuar ocorrendo? Qualquer dia levam a locomotiva inteira e sem ninguém perceber”, disse Ocampo.

De acordo com relatos de presidente da associação, José Bispo, o acervo está desguarnecido e propício a atuação de vândalos praticarem este tipo de ação e muitos outros de grande vulto. O local segundo consta em documento expedido no Diário Oficial da União no dia 28/05/2007 de nº 101 da portaria nº 151, determina, que é de responsabilidade do município de Porto Velho, através da FUNCULTURAL (Fundação Cultural de Porto Velho) a manutenção e preservação de toda a área e do acervo histórico. O presidente afirma que está ordem expedida está sendo descumprida nas clausulas do contrato de cessão.

Os ex- ferroviários estão arquitetando uma mobilização para derrubar o contrato de cessão que a prefeitura tem com o patrimônio histórico.

A Associação dos Ex-Ferroviários Da Estrada De Ferro vai representar a prefeitura de Porto Velho na POLÍCIA FEDERAL, onde vai pedir a abertura de um inquérito investigativo, quanto ao destrato com o patrimônio histórico.

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