Santo Antônio assinou condicionantes, mas até hoje não recuperou Madeira-Mamoré, di zem debatedores

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Santo Antônio assinou condicionantes, mas até hoje não recuperou Madeira-Mamoré, dizem debatedores

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Porto Velho, RO – Uma das questões de maior relevância discutida na audiência pública desta segunda-feira 14.03 que debateu o abandono da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré foi o descumprimento das condicionantes estabelecidas pelo IBAMA para a emissão da licença de construção da Usina de Santo Antônio, assinadas em 2007.

O assunto veio à tona na Câmara Municipal pela procuradora federal Gisele Dias ao confirmar que a Procuradoria Federal em Rondônia já instaurou três ações civis públicas contra o Consórcio Santo Antônio que inclui também a revitalização do cemitério da Candelária e do trecho entre Porto Velho e Santo Antônio.

A maioria dos debatedores que estiveram presentes creditou a situação do abandono a várias questões, a principal delas a Gestão do Patrimônio Histórico e também a falta de fiscalização da União responsável pela Cessão de Uso da ferrovia ao Município que não tem gente, projeto e nem verba para cuidar da E.F.M.M.

“Não adianta somente dinheiro. Alguém precisa gerir essas verbas e ter conhecimento de causa sobre o assunto. Além disso, é necessário que alguém fiscalize isso tudo”, comentou o autor da audiência pública, vereador Everaldo Fogaça (PTB) ao cobrar ações efetivas da Prefeitura.

Foi nessa tese que o secretário do Patrimônio da União em Rondônia, Marco Antônio explorou. Segundo ele, é necessária a criação de uma Fundação e de um Conselho Gestor para cuidar de todo o acervo e captar recursos para a restauração de todo o complexo que está se deteriorando entre Porto Velho e Guajará-Mirim.

Os depoimentos sobre a ferrovia também tiveram um apelo histórico negativo. O museólogo Antônio Ocampo disse que o abandono da ferrovia é parte de um capítulo que começou no Governo Jorge Teixeira. “O desmonte da Madeira-Mamoré começou em 1980 e continua até hoje. Esse desmonte acontece até hoje com a sequência de governos”, relembrou.

O historiador Alexis Palitot foi mais além e buscou no sentimento, uma solução mais eficaz. Para ele, é necessário antes de dinheiro e gestores cap azes, o amor pelas coisas da terra. “Como amar Porto Velho se nosso embrião está abandonado?”, questionou ele ao comentar que já presenciou desconhecidos pichando a locomotiva no pátio da ferrovia.

O secretário da Fundação Cultural, Antônio Jorge dos Santos, disse que o Município tem realizado várias intervenções na Ferrovia, mas admitiu que são insuficientes. “Hoje, se não tivermos a ajuda da União e do Estado, não temos maiores condições de fazer algo que realmente mude o atual quadro da ferrovia. O Município não possui verba suficiente para isso”, comentou.

O vereador Dim Dim (PSL) levantou a seguinte proposta. O Município, o Iphan e o Estado poderiam fazer um projeto de revitalização e conversar com as usinas para banca-lo com dinheiro oriundo dos royalties. “Precisamos saber como estão sem do investidos esse dinheiro pela Prefeitura. Dinheiro certamente não é problema para esse consórcio que vai explorar nossas riquezas por 30 anos”, disse.

O membro suplente do Conselho Nacional de Política Cultural, Rogério Romano, disse que o que acontece em Rondônia vai na contramão do que acontece no País, onde vários estados que possuem ferrovia, citando exemplo da linha férrea entre Itararé (SP) a Santa Maria (RS) que foi restaurada e revitalizada. “Os americanos descobriram há quase 150 anos o potencial do modal ferroviário”, ao citar a inauguração da linha férrea que interligou a Costa Oeste e a Costa Leste dos Estados Unidos.

Outro que esteve presente à reunião, o deputado estadual Léo Moraes (PTB) se comprometeu em realizar uma audiência na Assembleia Legislativa e convocar os diretores da Santo Antônio para saber das compensações e condicionantes não cumpridas. Ele também se colocou à disposição para a colocar uma Emenda Parlamentar de autoria do legislativo estadual para ajudar na execução do projeto de revitalização da ferrovia.

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