PORTO VELHO E O DISCURSO DO RIO MADEIRA – Gente de Opinião

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PORTO VELHO E O DISCURSO DO RIO MADEIRA

1.O dia 11 DE OUTUBRO DE 1940 constitui-se em uma das datas mais marcantes para a história política de Rondônia. Foi o dia em que o presidente Getúlio Vargas chegou a Porto Velho para uma breve estadia de três horas e terminou por ficar três dias. O interventor do estado do Amazonas, Álvaro Maia, enviou telegrama ao prefeito de Porto Velho com o seguinte teor: “Comunico-vos senhor presidente da República é esperado neste Estado. Sendo provável passe avião sobre essa cidade até no dia 10 de outubro próximo. Encarrego providenciardes recepção com o concurso de autoridades e povo. Saudações”. Manaus, 30.09.1940. Na agenda do governo do estado do Amazonas, o presidente Getúlio Vargas deveria dar apenas um sobrevoo sobre a cidade, acenar para o povo e seguir viagem. Mas o major Aluízio Pinheiro Ferreira tinha sua própria agenda e estava trabalhando nela com muito afinco.

Na agenda presidencial constava o seguinte roteiro: de Manaus, a comitiva seguiria para Belém do Pará, depois uma pequena escala em Fordlândia, de lá para o Acre e depois sobrevoaria Porto Velho. Mas a agenda seria alterada com o cancelamento da viagem ao Acre e a confirmação de estadia em Porto Velho. O povo estava preparado para a recepção festiva. Uma multidão aglomerava-se no porto do Cai N’Agua onde pousaria o hidroplano pilotado pelo próprio Getúlio Vargas e, multidão maior o aguardava na Praça General Rondon, inaugurada em 1939, e que seria reinaugurada pelo próprio presidente Vargas. Ali, no início da tarde daquela sexta-feira, 11 de outubro de 1940, depois de assistir ao desfile de militares, escolares e proletários da Madeira-Mamoré, o presidente Getúlio Vargas proferiu, de improviso, o célebre discurso do Rio Madeira. Dois dias antes, havia proferido o discurso do Rio Negro, em Manaus, quando prometeu criar um Porto Franco para viabilizar o desenvolvimento da região. Em Porto Velho, Vargas prometeu atender às reivindicações do major Aluízio Ferreira, da Associação Comercial e do governador do Acre, sem, no entanto, discorrer sobre quais eram essas aspirações.

Esta coluna, sempre no intuito de contribuir para restaurar a memória histórica de Rondônia, traz pela primeira vez na história recente, o teor do discurso do Rio Madeira, considerando que só se conhece o pequeno trecho “Em Porto Velho cada soldado será um operário e cada operário será um soldado em defesa da Pátria”, presumidamente extraído do contexto mais amplo e mais objetivo, como se verá a seguir: DISCURSO DO RIO MADEIRA, PROFERIDO HÁ 75 ANOS NA PRAÇA GENERAL RONDON PELO PRESIDENTE GETÚLIO DORNELLES VARGAS – ““Não posso deixar de externar a minha satisfação e o meu júbilo ao assistir a essa parada trabalhista. Constatei que estão todos os proletários jubilosos e conscientes de suas responsabilidades. Porto Velho está vivendo uma época de plena reconstrução e isso se deve, em grande parte, à ação do major Aluízio Ferreira, diretor da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, que tem devotado o melhor esforço e da sua inteligência em todos os setores. Isto é motivo de orgulho, porque operários, pertenceis a uma geração que se revigora”.

“Sinto que neste recanto longínquo da pátria cada operário é um soldado e cada soldado é um operário que trabalha e vive pela grandeza do Brasil”. Concito-os a não esmorecerdes porque dais a todos nesta florescente região da Amazônia, um exemplo de capacidade e de devotamento ao trabalho”. Quanto ao apelo que me dirigistes, vos afianço, Porto Velho terá seus serviços desenvolvidos com a realização do pleito que porei em execução logo após o meu regresso ao Rio, para maior progresso desta futurosa região. Ficai tranquilos e continuai o trabalho cheios de alegria na certeza de que o governo não perderá um só instante para tornar-vos mais felizes e para fazer a pátria mais próspera, mais e mais venturosa”.

“A alegria do governo consiste em ver o povo feliz”.

Como se pode observar, o texto extraído do discurso “Em Porto Velho cada soldado será um operário e cada operário será um soldado em defesa da pátria”. Comparando o teor do discurso, pode-se deduzir que alguém copiou errado e no erro permaneceu. Vamos repetir as palavras do presidente com o texto histórico oficializado como verdadeiro: “Sinto que neste recanto longínquo da pátria cada operário é um soldado e cada soldado é um operário que trabalha e vive pela grandeza do Brasil”.

O município de Porto Velho está a caminho do bicentenário. Talvez seja hora de o poder público municipal, as Universidades e as Academias, IPHAN e o que mais houver, realizar novas pesquisas para colocar nos trilhos a história, em nome da memória e das gerações futuras.

Historiador e escritor regional(*)

Da Academia Rondoniense de Letras, ARL.

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