UM LEGÍTIMO RONDONIENSE NA VIAGEM INAUGURAL DA ESPETACULAR ESTRADA DE FERRO MADEIRA MAMORÉ

*Ricardo Leite
Terça-feira, dia 5 de maio de 2015. Nascia há 150 anos um dos heróis da Pátria: Candido Mariano da Silva Rondon, ou apenas, Marechal Rondon, mundialmente reconhecido como o militar que salvou da morte à bala milhares de índios, e levou a paz e a civilização aos sertões, antes desconhecidos, do Brasil continental. Para homenageá-lo, os Correios lançaram belos selos, e o Senado Federal fez uma sessão solene. Mas, em Rondônia, único Estado brasileiro que tem o nome de um vulto nacional, ocorria, na mesma terça-feira, por coincidência do destino, uma homenagem especial, que, seguramente, o próprio Rondon aprovaria pelos fundamentos que a motivaram. A Assembleia Legislativa aprovava o projeto do presidente Maurão de Carvalho, para conceder o título de cidadão rondoniense ao juiz federal Dimis da Costa Braga, que, na terça-feira, dia 19, as 10h, recebe a honraria no plenário da Casa Legislativa.
A espetacular e impossível Estrada de Ferro Madeira Mamoré é a ponte histórica que os une. Em 1915, Rondon chega a Porto Velho, usa os trens da EFMM inaugurada três anos antes, e se trata de malária no moderníssimo hospital da Candelária. Nos fins da década de 1910, a disputa jurídica sobre o pagamento da obra, entre União Federal e a Madeira Mamoré Railway Company, já sob administração inglesa, é levada para a arbitragem do então Coronel Rondon, Diretor de Engenharia do Exército, que dá ganho de causa à companhia. Mais de 90 anos depois, o juiz federal Dimis da Costa Braga prolata duas sentenças contra a mesma União, o Estado e o Município de Porto Velho, em favor da Madeira Mamoré. No imbróglio jurídico do início do século passado, Rui Barbosa e Clóvis Beviláqua, personalidades nacionais e mentes jurídicas perenes, também ficaram ao lado da EFMM, assim como o novo cidadão rondoniense, Dimis Braga, muitas décadas depois.
Proteger a EFMM é proteger a mãe do Estado de Rondônia, não havendo motivo maior para fundamentar politicamente o título de cidadão, cujo efeito principal é tornar o homenageado filho da terra. No caso de Dimis da Costa Braga, é mais que isso. É devolver a ele a naturalidade rondoniense. Por uma capricho da História, Lábrea, Amazonas, o município onde ele nasceu, foi por algum tempo, parte do Território Federal do Guaporé (primeiro nome de Rondônia).
Como testemunha próxima posso afirmar ? seus dois anos de trabalho na Seção Judiciária Federal de Rondônia, valem por vinte anos em serviços variados a favor do Estado. A Assembleia Legislativa e, em especial, o presidente da Casa de Leis, Maurão de Carvalho, ancorado em seus cinco mandatos de deputado, fazem justiça, e honram quem merece e sabe dar valor ao altaneiro gesto legislativo. Curiosamente, ambos, Maurão e Dimis, vivenciaram uma profissão muito digna e cheia de ensinamentos: foram garçons, cuja vida é bem servir.
A paixão nacional do futebol serve para dizer que o título de Dimis, que é o diretor do Foro, vai também para todos os juízes federais do Estado, do mesmo modo como o jogador que fez o gol da vitória, mas o time todo recebe a taça por isso. Eis os nomes desses trabalhadores do direito e da justiça: Herculano Martins Nacif, Jaqueline Conesuque Gurgel do Amaral (rondoniense de nascença), Marcelo Stival, Flávio Fraga e Silva, Ricardo Beckerath da Silva Leitão, Eduardo Santos da Rocha Penteado, Alaôr Piacini e Heleno Bicalho.
Atenção. Alerta importante para os futuros administradores do trem turístico e seu cerimonial. Por tudo que ele já fez pela EFMM, e por tudo que sente no seu coração de poeta por este Estado onde nasce diariamente uma nova civilização brasileira, quando o trem da incrível e, desde sempre Patrimônio da Humanidade, Estrada de Ferro Madeira Mamoré apitar pela última vez, antes da partida de sua nova e inexorável viagem inaugural de oito quilômetros até a antiga Santo Antônio do Madeira, no vagão principal, por justiça, o rondoniense legítimo Dimis da Costa Braga deve ter um assento reservado.

*Ricardo Leite é procurador federal

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