MADEIRA-MAMORÉ – O ‘EFEITO GOEBBLES’ NA NOSSA HISTÓRIA – Gente de Opinião

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MADEIRA-MAMORÉ – O ‘EFEITO GOEBBLES’ NA NOSSA HISTÓRIA

Quando cheguei aqui, já vão quase 40 anos, era comum eu ouvir algumas coisas que, hoje, sei serem invencionices sobre a ferrovia Madeira-Mamoré e como nada conhecia da História tive a tendência de acreditar, até que, ouvindo mestres da área e lendo sobre o assunto comecei a verificar que, ainda hoje, há muitas coisas ditas que não condizem com a realidade, havendo pelo menos um caso em que basta o interessado fazer uma conta para verificar que a coisa é muito distante do enunciado.

O duro é que de tanto o enunciado ser repetido que acaba entrando naquela teoria do ministro da Propaganda de Hitler, o nefasto Joseph Goebbles cuja frase mais famosa certamente foi aquela que dizia “Uma mentira mil vezes repetida torna-se verdade”.

A coisa me assustou ao ser questionado por um estudante que disse ter ouvido durante palestra em sua escola que “cada dormente da ferrovia representa um homem morto na construção”.

São apenas alguns dos muitos mitos criados em derredor da Madeira-Mamoré e que acabaram sendo repetidos, e, pior, passados a estudantes que ao absorverem tal informação como verdadeira correm o risco de, em uma prova escolar ou num concurso se houver uma pergunta relativa a qualquer dos mitos, dar a resposta ouvida e perder pontos importantes tudo por causa do “efeito goebbles”.

Segundo o professor e historiador Antonio Candido (“Enganos da nossa História”) em cada um dos 366 quilômetros, a distância da ferrovia, foram usados 1.500 dormentes. Multipliquemos agora 1.500 vezes 366 e teremos a fantástica soma de 549 mil dormentes. Francamente, dá para acreditar que cada dormente represente um homem morto na construção? Outros autores, como Abnael Machado e Samuel Benchimol, citam que as mortes ficaram entre 5 e 7 mil. O resto seria fantasia dita a primeira vez pelo senador João Palmério.

Outra balela muito citada é que a Madeira-Mamoré foi a responsável pelo primeiro empréstimo externo brasileiro. Não foi. O “primogênito” foi logo depois da proclamação da Independência, quase um Século antes do início da construção da EFMM, quando o Brasil pagou uma quantia como forma de indenização a Portugal (*).

O presidente Campos Sales, em 1898 foi À Europa em busca de negociar o empréstimo tomado pelo Brasil para financiar a Guerra do Paraguai e o primeiro empréstimo externo na República ocorreu em 1906 para dar lastro financeiro a produtores de café do eixo Minas/São Paulo.

Há muita balela citada por aí sobre a Madeira-Mamoré. E o pior é que estão passando isso para os estudantes, talvez na crença do “efeito goebbles”.

Lúcio Albuquerque

jlucioalbuquerque

(*) http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=211

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