MADEIRA MAMORÉ – 102 ANOS

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MADEIRA MAMORÉ – 102 ANOS

O saudoso governador Jorge Teixeira de Oliveira percorrendo os trilhos da EFMM no trecho entre Porto Velho e Santo Antonio no início dos anos 80. (Fonte: Acervo Esron Meneses)
O saudoso governador Jorge Teixeira de Oliveira percorrendo os trilhos da EFMM
no trecho entre Porto Velho e Santo Antonio no início dos anos 80.
(Fonte: Acervo Esron Meneses)

Nesse dia 1º de agosto de 2014, a Estrada de Ferro Madeira Mamoré completará 102 anos de inauguração. Esta monumental obra do início do século passado, ainda hoje tem sua historia repleta de lendas e mistérios, o que é perfeitamente compreensível, pois essa obra foi uma verdadeira epopeia.

O sonho de se construir uma ferrovia contornando o trecho encachoeirado do Rio Madeira, iniciou em 1870, na época do Brasil Império, quando Dom Pedro II concedeu a concessão para a primeira ferrovia na região ao coronel americano George Earl Churc. Em 1872 iniciaram as obras, mas não foram bem sucedidas.

Seis anos depois, em 1878, aconteceu a segunda tentativa. Dessa vez a cargo da construtora americana P & T Collins, pertencente aos irmãos Phillips e Thomas Collins. Estes também foram mal sucedidos, em decorrência de muitas mortes ocasionadas pelas doenças da região, até então desconhecidas. Falava-se aos quatro cantos que era impossível se construir uma ferrovia numa região tão insalubre.

Somente após o Tratado de Petrópolis, celebrado entre o Brasil e Bolívia em novembro de 1903, esse sonho passa a se concretizar. Após esse tratado surge o norte americano Percival Farquar, que na época foi considerado como louco quando disse que venceria o desafio de construir uma ferrovia em plena selva amazônica. Afinal já haviam tentado construí-la duas vezes e fracassaram.

Uma terra selvagem e cheia de mistérios com as doenças tropicais que o mundo desconhecia: malária, febre amarela, impaludismo, “bere-bere”. Como se não bastasse uma natureza cheia de adversidades e muito inóspita, com índios selvagens, cobras, onças, jacarés, etc.

Percival Farquar requisitou trabalhadores em 25 portos mundo afora e contratou mais de 20.000 trabalhadores oriundos de 52 países diferentes. Essa obra consumiu a vida de mais de 6.000 trabalhadores. As obras iniciaram em 1907 e sua viagem inaugural aconteceu dia 1º de agosto de 1912.

Em 10 de julho de 1931 o Presidente Getúlio Vargas assume a EFMM e nomeia o primeiro diretor brasileiro da ferrovia, o Capitão Aluízio Pinheiro Ferreira. Antes, todos os diretores eram americanos ou ingleses. Em 1966 o Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco decreta a desativação da EFMM, porem, ela foi desativada gradativamente enquanto se construía uma rodovia ligando Porto Velho a Guajará Mirim. Finalmente, no dia 10 de julho de 1972 os trens da lendária Madeira Mamoré apitaram pela última vez.

Muitas lágrimas, muitas saudades… A ferrovia se despedia da população.

Desde então muitas promessas de reativação de trechos para o desenvolvimento turístico na região, promessa de preservação do complexo ferroviário, manutenção e preservação das peças do Museu de EFMM. Promessas, promessas e mais promessas…

A única certeza que temos, é que somente o saudoso governador Jorge Teixeira de Oliveira fez algo pela preservação da nossa historia, quando restaurou no início dos anos 80 o trecho entre Porto Velho e Santo Antônio para passeios turísticos… Depois disso nada mais foi feito.

Com a construção das usinas de Santo Antônio e Jirau, chegaram a afirmar que esse mesmo trecho seria reativado como obras de compensações… Agora é praticamente impossível, pois com essas enchentes, tudo foi praticamente soterrado ou destruído.

A cidade de Porto Velho surgiu com a construção da EFMM, portanto ela é a “mãe” do Estado de Rondônia, o marco zero da nossa historia.

Parabéns pelos 102 anos de inauguração da Estrada de Ferro Madeira Mamoré ou pelo que sobrou dela…

Temos alguma razão para comemorar?

ANÍSIO GORAYEB

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