Há 102 anos Estrada de Ferro Madeira-Mamoré era inaugurada, mas não há o que comemorar / Site de Notícias Rondônia Dinâmica

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Há 102 anos Estrada de Ferro Madeira-Mamoré era inaugurada, mas não há o que comemorar / Site de Notícias Rondônia Dinâmica

Publicada em 01/08/2014 – 15h42min / Autor: Rondoniadinamica

Há 102 anos Estrada de Ferro Madeira-Mamoré era inaugurada, mas não há o que comemorar

O ex-ferroviário Manoel Soares da Silva, de 78 anos, visitou o local pela manhã pensando em participar de uma grande solenidade em comemoração. Mas só o que encontrou foram locomotivas abandonadas e matagal e lama tomando conta do patrimônio histórico

Porto Velho, RO – Decepção. Esse foi o sentimento vivido pelo ex-ferroviário Manoel Soares da Silva, de 78 anos que, ao se dirigir a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré na manhã desta sexta-feira (01), imaginava encontrar uma grande festividade em comemoração aos 102 anos da inauguração do patrimônio público. Mas o que acabou encontrando foi uma realidade totalmente contrária às suas expectativas.

Locomotivas enferrujadas completamente abandonadas, matagal e lama tomando conta do perímetro foram só algumas das constatações superficiais observadas por Soares.

– Fiquei muito triste quando aqui cheguei e observei a atual situação do local. No ano passado, na comemoração dos 101 anos, havia muita gente. Houve shows com bandas musicais e tudo o mais que a comemoração exigia, até por respeito a nossa história. Ver tudo isso aqui abandonado me revolta. Esses políticos só querem fazer fama. A maioria não é daqui, não valoriza o que é da terra – reclamou.

A justificativa do poder público para a situação é a enchente do Rio Madeira que invadiu a cidade de Porto Velho no começo do primeiro semestre deste ano.

Mesma opinião tem o funcionário público Moisés Antônio (53), que faz parte de uma associação cultural de Porto Velho.

– É decepcionante a realidade que se observa. É triste, lamentável. A cultura e o turismo de Rondônia estão acabando. Nossa historia está sendo esquecida com o passar do tempo. Lembro quando o Estado de Rondônia administrava a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Naquela época, ela funcionava e incentivava os passeios turísticos indo até a cachoeira de Santo Antônio. De lá pra cá tudo mudou. E como mudou. A Prefeitura de Porto Velho não dá valor ao que nossos entes passados merecem – disse Moisés ao repórter do jornal eletrônico Rondônia Dinâmica Pedro Silva.

E destacou:

– Hoje, para você ter uma ideia, estamos comemorando os 102 anos da inauguração da ferrovia. E o que se vê é total abandono. Existem locomotivas ainda dentro da lama e do mato. Eles culpam a cheia do rio. A situação já voltou ao normal, a vida continua. O que está acontecendo com nossa autoridade municipal? Faço um apelo ao prefeito para que se sensibilize e olhe com mais respeito, educação e amor para o patrimônio que temos que preservar – pediu.

Bruna Raíssa, dona de casa, foi à praça com o mesmo ímpeto do ex-ferroviário Manoel Soares.

Assim com ele, imaginou que fosse encontrar um grande evento, mas acabou vivenciando a mesma decepção.

– A cidade está abandonada. O que se vê aqui na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré é um retrato do que é Porto Velho agora. Essa limpeza que estão fazendo ai é pouca. Só fazem na frente das pessoas, pra causar impressão. Isso nem tocando no assunto dos dependentes químicos que vivem a se drogas num patrimônio que é nosso. Uma verdadeira vergonha – comentou.

Arlene Bastos Lisboa, chefe da divisão de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural da FUNCULTURAL (Fundação Cultural de Porto Velho), falou sobre a responsabilidade da fundação vinculada a Prefeitura de Porto Velho na questão:

– Nossa responsabilidade é a limpeza do museu. Já tiramos a lama e estamos fazendo a limpeza no pátio. Depois disso, iremos trazer as peças que foram levadas para o Prédio do Relógio. É um começo. A questão toda é a falta de dinheiro para trabalhar. Isso impede nosso serviço. Não temos políticas públicas voltadas para essa área – finalizou.

Estrada de Ferro Madeira Mamoré
Patrimônio da Humanidade. Acesse:

www.efmm100anos.wordpress.com

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