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Adeus a Dionísio Shochness

CULTURA – 26 de junho de 2014 – 10h37

história

DIONISIO = ZE

Rondônia perdeu no inicio da noite da última terça feira 24, um de seus mais considerados filhos, o pioneiro Dionísio Shochness. Dionísio nasceu em Porto Velho no dia 19 de abril de 1922 e em 1954 casou com a professora Syvil Winte Shochness com quem teve cinco filhos Elizabeth, Eli, Eliezer, Elsie e o Dionísio Júnior. Com apenas 12 anos de idade em 1934, ingressou na Estrada de Ferro Madeira Mamoré como aprendiz na oficina das Cegonhas e daí pra frente, só fez crescer dentro da empresa, até conseguir seu mais almejado sonho, que era ser maquinista de locomotiva. Por alguns anos foi encarregado da manutenção dos veículos ferroviários no trecho entre Abunã e Guajará Mirim. Se aposentou em 1969 após 35 anos de bons serviços prestados a EFMM. A convite do governador Jorge Teixeira voltou a trabalhar na Madeira Mamoré em 1980, quando foi restaurado o trecho entre Porto Velho e Cachoeira do Teotônio.

Na política foi um dos fundadores do MDB hoje PMDB. Era Maçom muito considerado pelos irmãos de todas as Lojas.

Uma de suas grandes paixões foi o Flamengo do Rio de Janeiro que costuma chamar de “Meu Framengo”

Seu corpo foi velado na 1ª Igreja Batista de Porto Velho de onde saiu para o cemitério dos Inocentes as 15h00 de ontem 25, em grande cortejo.

Durante o velório, ouvimos depoimentos de vários pessoas sobre o pioneiro de Rondônia Dionísio Shochness:

Particularmente posso dizer que perdi um amigo, professor e conselheiro, com o falecimento do seu Dionísio Shochness.

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Entre 1981 e 1982 morei de aluguel numa casa que pertencia ao seu Dionísio ali na Carlos Gomes, pertinho da residencia dele.

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Sempre ficávamos conversando sobre tudo que acontecia na cidade, era época do fim do Território Federal e começo do estado de Rondônia.

V E L Ó R I O

“Nossa história perde um grande vulto e fica mais pobre! Lamento porque a gente percebe que com o passar do tempo a indiferença por arte das autoridades em relação a esses pioneiros. Cada vez que Deus chama um deles, vou repetir, a nossa história vai ficando cada vez mais pobre”. (Beni Andrade – Publicitário/Radialista) “Foi um baluarte! Caracterizou muito bem a resistência da cultura dos povos que vieram para esta região, não só os barbadianos, mas, os gregos, alemães e outros que vieram para a construção dessa epopéia que deu origem ao estado de Rondônia. Ficamos tristes, mas, ao mesmo tempo gratificados. Nosso irmão estava sofrendo muito e agora sabemos que ele foi pro reino da glória”. (Bubu Jonshon – Produtor Cultural) “Falar de Dionísio Shochness é falar de Porto do Velho ou Porto Velho. Ele realmente é um dos pioneiros de Rondônia. Dionísio é remanescente da lendária Estrada de Ferro Madeira Mamoré hoje tão sucateada. Perdemos um pai de família honrado nas suas tradições, servindo a Deus e também pertencente a uma das lojas maçônicas, além disso, flamenguista exemplar”. (Osmar Vilhena – Pastor e Radialista). “A gente tem a certeza do dever cumprido, um bom pai, nos passou muitos valores, agora vai ficar só a saudade”. (Elizabeth – Filha). “É uma perda irreparável, mas, pelos princípios bíblicos e cristãos, sabemos que pode acontecer a qualquer hora, a Bíblia diz: “Procura apresentar-te diante de Deus aprovado”. Ele está napaz, está com Deus e nós ficamos contentes por ele ter gozado de todos os privilégios conosco e no final de sua vida, estar na presença de Deus” (Elvestre Jonshon – Jornalista). “Uma pessoa respeitada, séria e feliz. Ficamos amigos na maçonaria, sempre brincalhão nas reuniões, gostava de me gozar porque sou vascaíno e ele flamenguista em suma, perdemos um grande homem”. (Enio Melo – Engenheiro e Músico) “60 anos de matrimônio, nascemos e nos casamos aqui em Porto Velho. Temos que seguir esse caminho, nunca queremos que esse dia chegue, mas, ele chega. Em novembro do ano passado ele caiu na cozinha sem nada, o chão estava enxuto, quebrou duas costelas levamos para o hospital onde ficou em recuperação aí veio a complicação no coração, depois insuficiência renal e terça feira dia 24, por volta das oito e meia da noite faleceu no hospital 9 de Julho. (Syvil Winte Shochness – Esposa) “A vida do irmão Dionísio foi de testemunho. O que ele fez, fala mais alto do que suas próprias palavras. Na igreja, sempre foi uma pessoa participativa muito envolvente, dando sua contribuição para que o evangelho pudesse se expandir cada vez mais”. (Carlos Alberto – Pastor substituto da 1ª Igreja Batista). ******** Ele feliz da vida por ter voltado há dedicar seu tempo a Estrada de Ferro Madeira Mamoré a convite do governador Jorge Teixeira – Teixeirão. “É um prazer colaborar com a restauração do maquinário da Madeira Mamoré”,

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As conversas sempre aconteciam ou no portão da casa dele ou no da minha. Tinha apenas um problema:

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Ele era Flamenguista e eu Vascaíno. Só que ele era muito mais fanático e quando o Flamengo perdia principalmente pro Vasco, era cômico.

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Segunda feira pela manhã, ele ficava espreitando do portão da casa dele se eu estava na varanda da minha casa, caso eu estivesse ele voltava para dentro de casa. Às vezes de pirraça eu ficava plantado na varanda e sabe o que acontecia?

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Ele não sai para ir trabalhar. Então eu ia até o portão da sua casa e falava, pode sair que não vou fazer gozação. Era assim o nosso relacionamento, porém:

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Quando o Flamengo vencia o meu Vasco ou outro qualquer time, era a semana toda ele me esperando para falar sobre determinada jogada do seu querido “Framengo”.

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Já como colunista do Diário da Amazônia, ele me concedeu uma entrevista na qual contou a sua vivencia como ferroviário da Madeira Mamoré.

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Provou através de documentos que a Estrada de Ferro Madeira Mamoré nunca deu prejuízo, contestando a alegação de Percival Farquar para abandonar a Ferrovia.

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É uma entrevista que estou recuperando e quem sabe publique de novo.

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Quando o Osmar Silva me convidou para participar do Programa Pioneiros – A História de Todos Nós sugeriu, que abríssemos o Projeto entrevistando o seu Dionísio Shochness isso foi no mês de abril.

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Ao chegar em sua casa fomos informado da impossibilidade de gravarmos a entrevista porque ele não estava muito bem!

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Fomos negligentes ao não voltarmos em outro dia. Ainda teve a festa de seus 92 anos no dia 19 de abril e não o procuramos para gravar seu depoimento como Pioneiro de Rondônia.

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Ontem pela manhã, fomos informado do seu falecimento.

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Não morreu apenas o seu Dionísio, com ele foi parte da nossa história. Da história da Estrada de Ferro Madeira Mamoré. Sinceramente, não conheço nenhum historiador, que conheça a história da Estrada de Ferro Madeira Mamoré como conhecia seu Dionísio Shochness.

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Ele sabia desde a origem dos parafusos de cada máquina, até a administração burocrática. Os bastidores do prédio do relógio, pois seu pai trabalhou na construção da ferrovia.

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Dionísio sabia inclusive o modo de apitar o trem de cada maquinista. O Aleluia dobrava o apito, na curva do Km 4, o Canastra apitava mais longo e assim, descrevia o estilo de cada maquinista.

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Pelo barulho do arranque da locomotiva ele sabia se a máquina estava boa ou não para a viagem.

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Ao olhar os “desvios” sabia da posição dos trilhos.

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Não sei se posso escrever: Morreu o último verdadeiro ferroviário da Madeira Mamoré. Tem mais algum daquele tempo vivo? Mais velho que seu Dionísio?

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Não quero ser egoísta. Mas, sinceramente, perdi um grande amigo e professor.

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Uma vez Flamengo! Sempre “Framengo”. Descansa em paz Dionísio Shochness!

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