SUCEDIDOS E ACONTECIDOS NA MADEIRA-MAMORÉ – II – Gente de Opinião

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SUCEDIDOS E ACONTECIDOS NA MADEIRA-MAMORÉ – II

Felipe Azzi

Este é um “causo” mineiro, acontecido em Rondônia, no tempo do Território Federal do Guaporé, sobre os trilhos desbravadores da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. CAZUZA BARBIRATO MANTIQUEIRA, seguramente o único mineiro que se aventurou na Amazônia Guaporense, remanescente da aliança política “café com leite”, quando o cavanhaque de Washington Luiz desceu a portentosa escadaria do Catete, para a subida das bombachas de Getúlio Vargas, no expirar da Revolução de 1930 e nascimento do Estado Novo. Recomeçou a vida na promissora região com uma pequena plantação de café “arábica” no povoado de Penha Colorado, de onde tirava o sustento da família.

Certa ocasião, voltando de Guajará-Mirim, onde fora negociar meia dúzia de sacas de café em grão, foi instado pelo Condutor do trem que lhe pediu a passagem para o picote inutilizador, nestes termos:

– O bilhete, por favor…

– Que bilhete, sô?… Não escrevi nada pra ninguém!… – Rebateu Cazuza, dando uma seringada de cuspe no vão da janela próxima.

– A passagem… Aquele papelócio que o distinto recebeu no guichê de venda na estação – explicou o Condutor.

– Ah!… Aquele papelim amarelo? – Perguntou Cazuza, meio sem jeito.

Justamente!… Aquele papelim é a passagem que lhe dá o direito de viajar. Disse o Condutor, esbanjando ensinamentos de cidadania.

– Eu pitei ele… – disse Cazuza. E completou:

– Eu estava sem “paia” pra fazer o cigarro e usei ele… Se o moço quiser, a bagana ainda está fumegando ali.

A viagem teve curso normal para Cazuza. Os Condutores das composições da inesquecível Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, tecnicamente chamados “Chefes”, eram pessoas de elevado espírito humanitário. Trajavam tradicional uniforme de Agentes Ferroviários, que lhes dava certo tom sóbrio na aparência, mas muita bondade compreensiva e espontânea alegria no proceder.

Não é proibido sentir saudades. Quem conheceu a nossa Madeira-Mamoré puxe pela memória e reviva um tempo onde sonhar já era a realidade.

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