Peças da EFMM passam por reorganização, em Porto Velho

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Peças da EFMM passam por reorganização, em Porto Velho

Acervo da EFMM passam por reorganização depois de transferência

Sinos fazem parte do acervo da Estrada de Ferro Madeira- Mamoré. Foto: Vanessa Moura/Portal Amazônia

PORTO VELHO – A superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Rondônia solicitou que técnicos de Brasília avaliem os impactos da cheia do rio Madeira no complexo ferroviário da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM). Porém, a visita só deve ocorrer quando as águas recuarem do local. Enquanto isso, as peças centenárias do museu passam por reorganização.

Os objetos foram transferidos dos galpões da EFMM, inundados pelo avanço do rio Madeira, para o Prédio do Relógio onde funciona a Superintendência Estadual de Turismo (Setur). No local, a responsabilidade pela reorganização é da Fundação Cultural e Porto Velho (Funcultural).

Na manhã desta terça-feira (22), o Portal Amazônia visitou o local e conferiu de perto o trabalho. No saguão do Prédio do Relógio, as peças do mostruário revelam um pouco da história da centenária ferrovia como as bandeiras do Brasil e Bolívia lado a lado. ”Essas bandeiras ficavam no trem que ia de Porto Velho a Guajará- Mirim”, conta a a chefe do Departamento do Patrimônio Histórico da Funcultural Arlene Bastos.

Também impressionam os materiais de papel que foram preservados. ”Temos três cartas de 1930, inclusive ainda dá para ler. Há também carteiras de identificação, talões de passagem, livros de protocolo”, pontua.

Aparelhos antigos, inclusive usado para comunicação, também fazem parte do acervo. ”São telefones antigos usados na época da construção da Estrada de Ferro- Madeira- Mamoré e outros que são da época da administração da EFMM. Nós temos também a máquina de telegráfo e a máquina de calcular” , disse.

Documentação e cuidados

Arlene informou que um novo levantamento do acervo foi realizado e resultou na lista de 345 peças. ”Nós temos peças de madeira, peças de ferro como os cofres, tijolos, telhas, taças de latão, mesas, abajus, cartas, livro de protocolos, peças em prata e em porcelana, tinteiros, ferramentas e as bandeiras”, revela.

A chefe do Departamento do Patrimônio Histórico da Funcultural esclarece que esse novo levantamento é apenas das peças que foram transferidas para o Prédio do Relógio. Nos galpões ainda ficaram peças que, em função dos pesos, não puderam ser retiradas. ”Elas ficaram porque não tinha como realizar a locomoção. A exemplo das locomotivas, uma delas está no galpão 1 e, segundo informações que tivemos, para removê-la teríamos que desmontar o galpão”, explica.

Assim que a peças foram transferidas para o Prédio do Relógio começaram os cuidados especiais. ”No primeiro momento, tivemos o trabalho de limpeza, depois foi a organização e o armazenamento correto das peças. Três vezes na semana alguém da Funcultural e eu fazemos a limpeza, abrimos as janelas para ventilação com objetivo de manter as peças limpas e conservadas”, conta.

Acervo da EFMM passam por reorganização depois de transferência

Carimbos fazem parte do acervo centenário da ferrovia. Foto: Vanessa Moura/Portal Amazônia

Força tarefa de recuperação

O nível do rio Madeira, cujo pico no final de março foi de 19,7 metros, atingiu 18,08 metros na manhã desta terça-feira (22). Com a descida das águas do rio, a Funcultural já prevê uma nova etapa de trabalhos. ”Agora que está baixando o nível do rio o nosso trabalho é realizar uma força tarefa de limpeza e a conservação das peças”, afirma.

Mas os trabalhos só serão possíveis com a visita de técnicos do Iphan. ”Até mesmo para limpeza de uma maneira adequada a gente precisa ter uma orientação técnica. E para esse trabalho de restauração a gente precisa de um técnico que fale o que tem que ser realizado, como e o que pode ser feito”, aponta. Para Arlene, a enchente não provocou grandes danos ao acervo e sim o desgaste do tempo.

O trabalho de recuperação da EFMM é realizado em parcerias. Segundo Arlene, estão envolvidos nessa missão a Funcultural, a Superintendência Estadual de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), o Iphan e a Superintendência do Patrimônio da União (SPU).

Arlene convida a população a participar desta etapa de preservação do patrimônio da EFMM. ” Estamos abertos a sugestões na Fundação de Cultura é só mandar sugestões para a gente ou ir pessoalmente”, afirma. O telefone da Funcultural é (69) 3901 3643.

Discussões

A recuperação do patrimônio histórico também faz parte de discussões internas do Iphan e envolve debate com outros órgãos,corresponsáveis pela EFMM, a exemplo da Prefeitura de Porto Velho.

De acordo com a superintendente do Iphan Mônica Oliveira, o trabalho mais complexo na recuperação dos danos ocasionados a Estrada de Ferro só serão possível quando o rio baixar. ‘‘Aí sim vai ser feito o trabalho de limpeza, retirada de entulho. Vamos ter condições de elencar as principais ações’’, considera

Para o trabalho de recuperação do patrimônio, Mônica também concorda com chefe do Departamento do Patrimônio Histórico da Funcultural Arlene Bastos que é decisiva a avaliação de técnicos do Iphan de Brasília. ‘‘Para elencar as ações prioritárias é preciso uma análise da área, inclusive com participação de especialistas em áreas como arquitetura, engenharia que tenham experiência em outras situações de calamidade. Até para montar esse grupo de trabalho com apoio o Iphan de Brasília’’, acredita.

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